Gostaria de ter ido mais vezes ao cinema esse ano. Deixei passar possíveis pérolas como “Medos Privados em Lugares Públicos”. De qualquer forma, eis os dez melhores filmes de 2007 (lançados no Brasil) que vi. A propósito, um feliz Natal a todos. =)
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10 – Mais Estranho que a Ficção (Marc Forster)
Começa como uma ficção científica, introduz elementos de comédia romântica, depois de drama e desemboca na questão da importância da arte para a humanidade. E uma boa notícia: os voice-overs estão organicamente ligados com a proposta do filme – meta-linguagem e auto-referência. É por não conseguir isso que “Tropa de Elite” não está nesta lista.
9 – Apocalypto (Mel Gibson)
Epítome da categoria Torcendo Pelo Mocinho®.
8 – A Rainha (Stephen Frears)
Stephen Frears é um cara cuidadoso. Alexandre Desplat teve de compor a trilha em três semanas porque o diretor havia achando a do compositor anterior muito pouco sutil. Esse filme provavelmente não estaria no Top 100 se não fosse pela Hellen Mirren, mas, fazer o quê, ela é foda. “A Rainha” é sutil e observador. De certa forma, é fascinante porque é como se revelasse segredos de uma pessoa real que a mídia não foi capaz de desvendar. Não é tablóide porque não contempla as superficialidades, mas o comportamento. E é cinemão.
7 – A Lenda de Beowulf (Robert Zemeckis)
O lado bom de ser uma animação é que há maior liberdade em se criar cenas de ação sem que estas corram o risco de evidenciarem problemas técnicos como o uso de chroma key. Tanto as pessoas quanto os monstros e dragões constituem-se da mesma matéria-prima (CGI) e, portanto, situam-se no mesmo plano de (ir)realidade. Claro, há os movimentos travados, os lábios levemente dessincronizados e, por alguma razão, as mulheres são sempre estrábicas. De qualquer forma, foi atribuída uma artificialidade sombria e sexy (e conveniente) à personagem da Angelina Jolie. O ritmo lento reforça a sexualidade que sublinha praticamente a história inteira. Uma surpresa agradável.
6 – Superbad – É hoje (Greg Mottola)
“Superbad” é um amálgama de comédia depravada com um olhar honesto sobre a adolescência. Até seus momentos de baixa inspiração humorística – como as desventuras de McLovin com os guardas – carregam um forte tom energético na medida em que é uma delícia por si só testemunhar as reações de personagens com personalidades tão bem delineadas. Eis uma comédia teen extremamente original em que dois homens declarando amor um para o outro não soa gay.
5 – O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik)
No meio da floresta e preparados para o bote, Jesse James e seus capangas esperam o trem se aproximar para assaltá-lo. Ele vem de uma escuridão quase palpável e numa lentidão sádica. Nesse ponto, Dominik já tinha me conquistado. O filme é atmosférico, flui como um rio sem pedras e ainda conta com Casey Affleck interpretando com perfeição o espreitador, teimoso e “bebezão” Robert Ford. Ah sim, a morte de Jesse James (vide título) também é uma Cena Memorável®.
4 – O Ultimato Bourne (Paul Greengrass)
Não é porque trabalho com edição, mas é impossível não se impressionar com o trabalho de corte feito nesse filme. Muitas seqüências não têm tomadas que durem sequer um segundo.Bourne é maduro e não perde tempo com piadinhas. Ou seja, é tudo o que James Bond (eca) não é. A última parte da trilogia é tensão constante e prova que Greengrass é um dos melhores diretores dos 00s.
3 – Cartas de Iwo Jima (Clint Eastwood)
Por um momento achei que esse deveria ficar em primeiro lugar. O filme provavelmente reúne a maior quantidade de Cenas Memoráveis® dessa lista. Pensar em “Cartas de Iwo Jima” é pensar numa sombra de desesperança te envolvendo num cerco cada vez mais fechado; numa água escura contra a qual você nada desesperadamente para chegar à superfície. Sim, é melancólico, mas não pessimista, pois aponta para a tenacidade possível em qualquer situação.
2 – A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck)
Não é do Antonioni, mas deveria estar no alto patamar dos filmes sobre incomunicabilidade. A impossibilidade de os personagens expressarem suas idéias cria uma bola de neve dentro da qual escondem segredos, anseios e perspectivas. Embora essa descrição possa parecer com a do narrador da Globo sobre o próximo filme do Intercine, o fato é que logo você desenvolve uma empatia imensa por aquelas pessoas, ao mesmo tempo em que é absorvido por uma trama de espionagem do tipo Fodeu, E Agora?
1 – O Sobrevivente (Werner Herzog)
Se eu estivesse na pele de Dieter Dengler, tendo que enfrentar meses preso dentro de uma cabana sem banheiro, comendo porcamente, dormindo no chão duro e com pés presos, sendo a única expectativa fugir em direção a uma floresta vietnamita densa infestada de animais perigosos e imprevisíveis, eu honestamente não teria cabeça para formar um plano de fuga nem forças para sorrir. Talvez por isso o personagem de Christian Bale seja tão fascinante. Herzog foca uma situação desesperadora sem abrir mão do humor. Ainda assim, discretamente “O Sobrevivente” vai construindo sua tensão enquanto disserta sobre a grandiosidade e poder implacável da natureza.
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E os piores:
1 – Proibido Proibir (Jorge Durán)
2 – A Ponte (Eric Steel)
3 – Podecrer! (Arthur Fontes)
4 – Viagem a Darjeeling (Wes Anderson)
5 – Antes Só do que Mal Casado (Bobby Farrelly e Peter Farrelly)