Arquivo para a Música categoria

Constatação

Postado em Música em Fevereiro 12, 2008 por Fabiano Ristow

Foram necessários alguns anos para eu chegar à conclusão de que Emiliana Torrini chuta as bundas da Enya e da Annie Lennox.

Sério, nerds, como nunca reconhecemos que “Gollum’s Song” é, de longe, a melhor?!

Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!!!!

Postado em Música em Fevereiro 1, 2008 por Fabiano Ristow

As pessoas reclamam que o “M” do MTV perdeu o sentido, já que o canal praticamente não exibe mais clipes e preenche a maior parte de sua programação com inutilidades voltadas para o jovem fútil Beija Sapo e afins. Mas, convenhamos: hoje em dia, quem quer assistir a um vídeo específico vai recorrer a quem? Tudo bem que no You Tube perde-se muito da qualidade da imagem, mas é tudo em prol da maior velocidade e menor tamanho. Quem dera as MP3 tivessem todas as freqüências sonoras de um CD; mesmo assim, estamos todos aqui com nossos Emules e Ipods. Esta é a internet.

O jeito é reconhecer sua influência e adaptar-se a ela. Não, não vou falar do Radiohead, e sim DISSO! Desculpem minha empolgação, mas quem me conhece minimamente sabe do meu tesão pelo Arcade Fire. Tenho o costume de digitar o nome da banda no You Tube para ver shows recentes deles – normalmente gravados com uma Cybershot esquizofrênica no meio da multidão. Não tentem imaginar minha surpresa quando hoje aparece nada mais, nada menos, que o vídeo oficial de “Black Mirror” (do álbum “Neon Bible”)!

O clipe é interessante, especialmente a fotografia, claramente influenciada pelo expressionismo alemão e com um quê de “Viagem à Lua”, do Georges Méliès; mas aí eu descubro que a graça mesmo está em vê-lo através do site oficial. Basicamente você tem a opção de criar um novo arranjo para a música, podendo ocultar os instrumentos que desejar. São seis camadas:

1 – vocal
2 – bateria
3 – baixo
4 – violão/guitarra/piano
5 – vocal (com efeitos)
6 – violinos/violoncelos/oboé/harpa

“Black Mirror” é uma música grandiosa, quase épica, mas agora é possível fazer a versão acústica, basta deixar somente os números 1 e 4 ligados, há! Experimente também desligar todos, exceto o 5, e aumente o volume da sua caixa de som. Sério, dá medo. Enfim, dá para passar a madrugada brincando. Ah, e não deixem de ouvir a música original, claro.

E eis um clipe que nunca poderia passar na MTV ou em qualquer outro canal de TV, pois sua natureza requer a interatividade do espectador. Sua experiência só pode ser completamente aproveitada online. O Arcade Fire já tinha feito algo parecido com a faixa “Neon Bible”. E assim o mundo da música vai transformando a internet, há muito tempo no papel de vilã, numa aliada insigne da expressão artística.

 

(editado: a combinação 1-4-6 é bem bonita)

Peixe e baratas

Postado em Música em Janeiro 16, 2008 por Fabiano Ristow

Então, fui ao Humaitá Pra Peixe. Aí você pergunta: “Mas você não é o indiezinho que só gosta de bandas vindas de Montreal?”. Isso é mito gerado por pessoas inconfiáveis e indignadas com minhas supostas críticas à cultura pop. Não poderiam estar mais enganadas, vide minha recente tara por Rihanna, Nelly Furtado e, err… Mika. Daqui a pouco posso trocar as segundas de Maldita por Baronetti. (Edit: isso foi uma piada, só para esclarecer).

Pois bem, eis que me deparo com uma banda de rock nacional bem bacana. Tudo começou quando estava futucando o Orkut de nossa EMI Girl (Carol) e notei que ela ia ao festival ver a Manacá. Justamente naquela semana eu tinha lido uma matéria na Megazine sobre a banda e pensei: “Por que não?”. Dei uma passadinha no lugar óbvio aonde vamos nessas ocasiões. Não escutei nada muito sofisticado, mas a melodia vocal da Leticia Persiles é um alívio em meio às vozes “masculinas” de adolescentes que insistem em montar bandas de garagem absolutamente iguais ao resto e que acreditam ser a cara do novo rock brasileiro.

Desliguei o computador assobiado o refrão de tons decrescentes de “Diabo” e murmurando letras simpáticas e folclóricas. O show felizmente foi uma experiência animadora, principalmente porque eles têm uma puta presença de palco. Tá, é verdade que a Letícia dá algumas escorregadas em termos de afinação, mas seu comportamento e despretensão compensam, e verdade seja dita: é uma graça vê-la se mover como uma menina do interior se espreguiçando. Letícia, você conquistou o coração de um amigo meu (né, amigo??).

****

Deixando a música de lado e adentrando no papo de elevador, só queria deixar registrado meu desprezo tétrico pelo calor dos últimos dias. Como se não bastassem as dezenas de trocas de roupa diárias, o verão é o período em que as baratas decidem nos fazer companhia. Dia desses encontrei uma na toalha, enquanto me enxugava. Além de sua suposta sobrevivência numa possível destruição global por bombas atômicas, li que se todas as baratas sumissem magicamente, o desequilíbrio ecológico levaria, em contrapartida, ao aumento de gambás e morcegos nas grandes cidades. Menos pior, não?

Reouvindo Rihanna

Postado em Música em Janeiro 8, 2008 por Fabiano Ristow

Se a música é boa, eu danço. Pulo, até. Não importa se é Sigur Rós, Björk ou Vivaldi. Não precisa ser rápida e ter batidas propulsivas, basta empolgar.

Claro que não se pode esperar que todos pensem da mesma forma. Portanto, se quero dançar numa boate, o jeito é seguir a onda e o embalo dos hits que o povo curte. O problema é que fica aquela coisa meio burocrática, um passo para direita, um para a esquerda, etc. Mas se a galera está unida e a cerveja começa a fazer efeito, diverte.

Diverte até certo ponto, isto é, até tocar Rihanna, o que aconteceu nas últimas cinco festas em que fui. O pior é que os DJs levam a sério o verso “please don’t stop the music” e fazem uma versão de 20 minutos (pelo menos parece) do pegajoso single de “Good Girl Gone Bad”. O mais incômodo é que ele remete a churrascos de play lotados de adolescentes bêbados. Tenho um sério problema em associar músicas com certas festas indesejáveis em que tocam.

Mas em 2007 ninguém bateu a chatice irritantemente ofensiva de Sean Kingston com o arranjo padronizado e vocal insípido de “Beautiful Girls”. Certa vez estava correndo quando passou uma van anunciando em alto-falantes que comprava ferros-velhos. Para climatizar o comercial ambulante, puseram no fundo o tal hit do gordo incongruente. O resultado foi um efeito promíscuo de sucata com declaração brega do tipo: Aceito peças too usadas beautiful girl carros suicidal batidos e metal suicidal etc.

OK, abrindo o jogo… comecei falando mal dela, mas a verdade é que tive de dar o braço a torcer quando recentemente dei uma segunda chance à Rihanna. Sim, faz toda a diferença apreciar uma música com fones de ouvido e atenção, sem caixas de som estourando os detalhes, mas ainda assim me surpreendi quando assumi para mim mesmo que “Umbrella” e “Don’t Stop the Music” teriam de passar de maçantes a divertidas. A primeira é uma rara e eufônica canção capaz de tocar em vários tipos de baladas sem precisar apelar para a putaria. Uma pena que eu tenha demorado quase um ano para me dar conta disso.