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Tem que ser com jeitinho

Postado em Geral em Fevereiro 7, 2008 por Fabiano Ristow

Situação 1:

Meu coração andou despirocando novamente nas últimas semanas, então ontem fui ao Cardiologista – um novo. Chegando lá, ele ouve meus batimentos com o estetoscópio, tira a pressão, faz o eletro, essas coisas de praxe, e então coloca a mão na minha barriga, esboça uma careta e diz:

- Você sabia que sua barriga pulsa?
- Ahn… não?
- Pois é. Deve ser porque você é magro.
- Sei.
- …ou porque você tem uma aorta anormal.

Assim, casualmente. Simpático, não?

Situação 2:

Há pouco mais de dois anos, minutos depois da ablação (cateterismo), ainda na cama da UTI e tentando enxergar através do rastro de neblina deixado pela anestesia ainda em efeito, pergunto:

- E aí, doutor, deu tudo certo?
- Sim. Mas preciso lhe informar: o problema era um pouco diferente do que pensávamos.
- O que era?
- Você tinha um Flutter Atrial.

Flutter who?

- Sei. E isso pode voltar?
- Pode.
- E é perigoso?
- Ah… assim… amanhã a gente conversa.

Certo.

Situação 3:

Há exatos três anos, corria eu na esteira, cheio de eletrodos no corpo, quando começa a crise de arritmia. Vejo meus batimentos no monitor: 250bpm. A médica ao meu lado cai em silêncio, e eu ali lutando para recuperar o fôlego e, principalmente, manter a calma. Com um rádio, ela chama a assistente, que instantaneamente entra na sala:

- Me chamou?
- Sim. Ligue imediatamente para o cardiologista dele.
- Por quê, aconteceu alguma coisa?
- Uma arritmia.
- É séria?

A médica fica em silêncio por alguns segundos e então conclui num sussurro (juro):

- Séria… só a morte é.

Ouquei. Situação 4:

Dali vou direto para o cardiologista, que analisa o eletrocardiograma e esclarece:

- Não se preocupe, isso não mata.
- Ufa. É que a outra moça lá da esteira fez uma cara feia…
- Você só precisa chegar ao hospital a tempo quando tiver uma crise.

Então tá.

Antes de mais nada: hoje estou bem e saudável, obrigado. Apenas estava me lembrando dessas pérolas. Creio que os médicos sejam treinados para dar diagnósticos com cautela e tato, e não quero ensinar o padre a rezar. De qualquer forma, fica a profunda reflexão: as notícias frias e diretas, essas só os jornalistas devem dar, heh.

Freddy Krueger me aterroriza

Postado em Cinema, Geral em Janeiro 31, 2008 por Fabiano Ristow

Enquanto pessoas que mereciam continuar nos alegrando com sua presença na Terra se vão precoce e injustamente, certos mortos ressuscitam para nos assombrar. Aí ficamos aqui perdidos tentando compreender a lógica desse mundo. O fato é que Backstreet Boys, Spice Girls, New Kids on the Block e etc começam a dar o ar da graça outra vez. O que está havendo com a indústria do entretenimento?!

Eis que Hollywood decide seguir a tendência com a confirmação do retorno de Freddy Krueger. Mas, aqui, confesso ter me interessado. Não será uma continuação do tipo cross over escroto entre ele e Jason, e sim um remake. Quando li a notícia eu meio que senti uma pontada de ânimo só pela possibilidade de reviver um personagem que marcou minha infância.

Quando criança eu não costumava sentir muito medo em filmes de terror, mas tiveram duas situações em que tive de tampar os olhos e me controlar para não sair do cinema chorando: a primeira foi durante a cena inicial de “Blade”, com aqueles milhares de vampiros dançando numa boate regada a sangue; a segunda, certamente mais torturante, foi assistindo a um filme do Freddy.

Não lembro qual exatamente, mas isso não importa, porque na época tanto fazia se era dirigido pelo Wes Craven ou por um Alan Smithee da vida. Eu não dava a mínima para a qualidade do que estava na tela. A premissa de “A Hora do Pesadelo” já era suficientemente macabra para mim, portanto eu era capaz de me cagar inteiro tanto no filme original da série quanto em qualquer uma das várias continuações inúteis realizadas.

O estilo de matança de Freddy exercia sua força e crueldade diretamente no meu imaginário. Para uma criança, creio que os maiores medos e os maiores fantasmas se manifestam em sua própria imaginação, e o lugar onde ela é perversamente obrigada a encarar essas assombrações é o pesadelo; ora, se me diziam que existia um assassino desfigurado que matava pessoas enquanto estas dormiam, como supostamente eu deveria reagir? Passava noites em claro evitando fechar os olhos.

(Talvez seja por isso que o cinema de terror asiático tenha ganhado tanto destaque nos últimos anos: ele mexe com nossas percepções mais óbvias do que consideramos macabro: fotografias borradas, barulhos debaixo da cama, crianças más, televisões em estática, silhuetas etc. Mexer com o nosso imaginário é tocar na ferida.)

Mas então, a notícia do remake até que despertou meu interesse. Só que, tipo, o Michael Bay vai produzir, então é meio que inevitável imaginar bilhões de dólares investidos em efeitos especiais para cenas de ação, o que é super fora do propósito. Oh well. Ah sim, o Jason de “Sexta-Feira 13″ também terá uma refilmagem. O diretor escalado é Marcus Nispel. Isso aí, o mesmo de “O Massacre da Serra Elétrica – O Remake”, aquela obra-prima.

Por isso que eu digo. Vamos esquecer a cultura pop e virar indie.

De novo, a morte

Postado em Cinema, Geral em Janeiro 23, 2008 por Fabiano Ristow

A morte vem em pacotes. É sempre assim. Chega uma semana e várias celebridades se vão ao mesmo tempo. Brad Renfro (25 anos), Tourinho (43) e Heath Ledger (28) em sete dias? Todos jovens? Qualé?

Confesso ter ficado bastante chocado com a morte de Ledger. Sério, a ponto de ficar mal durante todo o dia. De certa forma, considerava-o próximo, por estar, mais do que nunca, em evidência. Não lembro com quem, mas, enquanto assistia ao trailer de “Dark Knight” há poucos dias, comentei: “esse garoto tem futuro”. O que realmente pega é a expectativa frustrada de que, em Hollywood, ele nos ofereceria personagens marcantes como o foram Ennis Del Mar e Bob Dylan (e Coringa, em breve). No NYT, vizinhos disseram ter observado um cara inteligente e feliz. Como não degringolar? Que merda.

Ah, e desculpem o comentário inoportuno, mas vocês precisam ver isso. Exatamente, G1 for dummies! Para quem não conseguiu entender apenas lendo, um infográfico ilustrando a complexa trajetória de uma empregada e uma massagista encontrando o corpo de um jovem rapaz. Cool, hã? O pessoal da arte gráfica tinha mesmo muito o que fazer.

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“Desejo e Reparação” é ótimo e mereceu a indicação ao Oscar de Melhor Filme, embora Kim Masters, do Slate, não concorde. O título do artigo é: “The Oscar Nominations: once again, there are lots of films that most people haven’t seen and don’t care about”. Faz sentido. Desde 2006 tive essa sensação ao me deparar com filmes que, de certa forma, fugiam do apelo popular. “Boa Noite e Boa Sorte” e “Capote”? Hm. Mas pergunto: isso não é ruim, é?

Wi-fi na praia

Postado em Geral em Janeiro 4, 2008 por Fabiano Ristow

Copacabana terá internet banda larga de graça

Olha que bacana, um bom motivo para tirarmos nossos Macbooks das mochilas em plena orla de Copacabana. Quem se candidata?

Isso me lembra do Homer e do Bart na feirinha no episódio em que vêm ao Brasil.

Um dia qualquer

Postado em Geral em Dezembro 23, 2007 por Fabiano Ristow

Deus me livre. Cem mil pessoas no Norte Shopping hoje. A reportagem não fala, mas aqui no Barra Shopping chegaram a pendurar plaquinhas nas entradas dizendo: “Lotado”. Um contingente assim de seres humanos me sufoca, me deixa em pânico. Existe limite de pessoas que consigo suportar ao meu redor. É um caos que pede para ser evitado.

Ainda bem que aqui em casa não temos cerimônia. Nada de árvore, luzes, presentes e, principalmente, família reunida. No máximo, uma ou duas tias. E, mesmo assim, é quase uma achincalhação: se todos estão fazendo, então façamos também um jantar ou a simulação de um; só de brincadeira, por fazer.

O mesmo vale para todas as outras datas comemorativas do ano, inclusive aniversários: aqui, não passam de um dia qualquer. Datas são marcações arbitrárias, tempo não tem pontos nem vírgulas. Dieta se começa hoje; entre amanhã ou segunda-feira não há diferença, os ventos sopram contra ou a favor independentemente dos nomes.

Bom para mim, que não preciso aturar batalhas campais em shoppings e aquele clima de bolsa de valores em dia de queda. Olhe essa foto aí em cima. Sério, me dá vertigem. Nada contra o Natal, afinal, é um feriado. Proponho passá-lo enchendo a cara no MSN.

O post que ninguém lê

Postado em Geral em Dezembro 18, 2007 por Fabiano Ristow

Este é o post que ninguém vai ler, porque ainda não divulguei o blog para ninguém. Aliás, nunca me saí bem com as artimanhas necessárias à popularização de um blog. Escrever diariamente e comentar em sites alheios são algumas delas.

Minha última tentativa tinha sido de mestre. Compartilhei o Só Sapos com outras quatro pessoas, assim a atualização freqüente seria muito mais fácil. Além disso, não era apenas eu divulgando. O problema é que percebi que me sinto à vontade mesmo num espaço individual, onde eu tenha mais liberdade para falar sobre assuntos mais pessoais e todo o resto.

De qualquer forma, sem mais enrolação: esse aqui é definitivo, ok? Ok. Então deixe que me apresente (merda, eu vinha tentando evitar essa frase). Ou melhor, de interessante nada tenho. Então, para quem não sabe, uma explicação do porquê do título.

Laika foi um cachorro enviado ao espaço pela União Soviética na década de 50. Ele morreu poucas horas depois de entrar em órbita. Wikipédia etc.

E também é uma música do Arcade Fire.

Até mais.