Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!!!!

As pessoas reclamam que o “M” do MTV perdeu o sentido, já que o canal praticamente não exibe mais clipes e preenche a maior parte de sua programação com inutilidades voltadas para o jovem fútil Beija Sapo e afins. Mas, convenhamos: hoje em dia, quem quer assistir a um vídeo específico vai recorrer a quem? Tudo bem que no You Tube perde-se muito da qualidade da imagem, mas é tudo em prol da maior velocidade e menor tamanho. Quem dera as MP3 tivessem todas as freqüências sonoras de um CD; mesmo assim, estamos todos aqui com nossos Emules e Ipods. Esta é a internet.

O jeito é reconhecer sua influência e adaptar-se a ela. Não, não vou falar do Radiohead, e sim DISSO! Desculpem minha empolgação, mas quem me conhece minimamente sabe do meu tesão pelo Arcade Fire. Tenho o costume de digitar o nome da banda no You Tube para ver shows recentes deles – normalmente gravados com uma Cybershot esquizofrênica no meio da multidão. Não tentem imaginar minha surpresa quando hoje aparece nada mais, nada menos, que o vídeo oficial de “Black Mirror” (do álbum “Neon Bible”)!

O clipe é interessante, especialmente a fotografia, claramente influenciada pelo expressionismo alemão e com um quê de “Viagem à Lua”, do Georges Méliès; mas aí eu descubro que a graça mesmo está em vê-lo através do site oficial. Basicamente você tem a opção de criar um novo arranjo para a música, podendo ocultar os instrumentos que desejar. São seis camadas:

1 – vocal
2 – bateria
3 – baixo
4 – violão/guitarra/piano
5 – vocal (com efeitos)
6 – violinos/violoncelos/oboé/harpa

“Black Mirror” é uma música grandiosa, quase épica, mas agora é possível fazer a versão acústica, basta deixar somente os números 1 e 4 ligados, há! Experimente também desligar todos, exceto o 5, e aumente o volume da sua caixa de som. Sério, dá medo. Enfim, dá para passar a madrugada brincando. Ah, e não deixem de ouvir a música original, claro.

E eis um clipe que nunca poderia passar na MTV ou em qualquer outro canal de TV, pois sua natureza requer a interatividade do espectador. Sua experiência só pode ser completamente aproveitada online. O Arcade Fire já tinha feito algo parecido com a faixa “Neon Bible”. E assim o mundo da música vai transformando a internet, há muito tempo no papel de vilã, numa aliada insigne da expressão artística.

 

(editado: a combinação 1-4-6 é bem bonita)

6 Respostas para “Un! Deux! Trois! Dis: Miroir Noir!!!!”

  1. Acho isso foda, explorar ao máximo a interatividade com o público. Afinal, música é arte e arte é a interação da obra com quem está sendo impactado por ela. No momento em que a pessoa pode interagir, funciona ainda melhor.

    Eu ainda sonho que no futuro vai ser viável os CDs, faixas de música em geral, etc, com tecnologia suficiente pra gente manipular as “camadas”, ou seja, os canais de som.

    Atualmente é impossível, mas com o aumento no poder de armazenamento, quem sabe?

  2. Mais sobre o início do post mesmo, sabe que eu reclamei um monte sobre o ‘m’ da mtv mas estava percebendo que eles arrumaram uma boa sacada, apesar o tempo de clipe passando ser menor. Os programas tipo o MTV+, TopTop e por aí vai, mostram trechos de clipes. Se o cara se interessa, ele vai atrás e vê na internet ou algo do gênero. Isso para não falar daquele negócio que passa no comercial, falando de clipes. Por causa disso que conheci a musiquinha do Salmão XD

  3. Fabiano Ristow Diz:

    É bem isso que você falou: eles apresentam, e daí vc vai ver na internet. É meio que a tendência mesmo, se você perceber. Mas eu confesso que gostava de deixar os clipes rolando despretensiosamente na tv. Hoje ainda dá pra fazer isso com o VH1, mas não é todo mundo que tem o pacote gold ultra mega flash da NET. Ou você vê a MTV de madrugada, com o Lab. :P

  4. O que não é má pedida, já que o Lab costuma ter uma seleção excelente.

  5. Interatividade é comigo mesmo….
    Vou ver isso quando chegar em casa porque aqui no trabalho não rola…

  6. Tá eu me envergonho disso, mas nunca ouvi uma vírgula do Arcade Fire, mas por causa desse post aí tô indo me penitenciar enquanto baixo alguma coisa!

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