Peixe e baratas
Então, fui ao Humaitá Pra Peixe. Aí você pergunta: “Mas você não é o indiezinho que só gosta de bandas vindas de Montreal?”. Isso é mito gerado por pessoas inconfiáveis e indignadas com minhas supostas críticas à cultura pop. Não poderiam estar mais enganadas, vide minha recente tara por Rihanna, Nelly Furtado e, err… Mika. Daqui a pouco posso trocar as segundas de Maldita por Baronetti. (Edit: isso foi uma piada, só para esclarecer).
Pois bem, eis que me deparo com uma banda de rock nacional bem bacana. Tudo começou quando estava futucando o Orkut de nossa EMI Girl (Carol) e notei que ela ia ao festival ver a Manacá. Justamente naquela semana eu tinha lido uma matéria na Megazine sobre a banda e pensei: “Por que não?”. Dei uma passadinha no lugar óbvio aonde vamos nessas ocasiões. Não escutei nada muito sofisticado, mas a melodia vocal da Leticia Persiles é um alívio em meio às vozes “masculinas” de adolescentes que insistem em montar bandas de garagem absolutamente iguais ao resto e que acreditam ser a cara do novo rock brasileiro.
Desliguei o computador assobiado o refrão de tons decrescentes de “Diabo” e murmurando letras simpáticas e folclóricas. O show felizmente foi uma experiência animadora, principalmente porque eles têm uma puta presença de palco. Tá, é verdade que a Letícia dá algumas escorregadas em termos de afinação, mas seu comportamento e despretensão compensam, e verdade seja dita: é uma graça vê-la se mover como uma menina do interior se espreguiçando. Letícia, você conquistou o coração de um amigo meu (né, amigo??).
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Deixando a música de lado e adentrando no papo de elevador, só queria deixar registrado meu desprezo tétrico pelo calor dos últimos dias. Como se não bastassem as dezenas de trocas de roupa diárias, o verão é o período em que as baratas decidem nos fazer companhia. Dia desses encontrei uma na toalha, enquanto me enxugava. Além de sua suposta sobrevivência numa possível destruição global por bombas atômicas, li que se todas as baratas sumissem magicamente, o desequilíbrio ecológico levaria, em contrapartida, ao aumento de gambás e morcegos nas grandes cidades. Menos pior, não?